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Voltar ao Portal • negocios • 03 Jul. 2026 • 217 Views

Brasil precisa investir cerca de US$1,65 bilhão para entrar no mercado de terras raras, diz estudo

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Brasil precisa investir cerca de US$1,65 bilhão para entrar no mercado de terras raras, diz estudo

Brasil precisa de US$ 1,65 bilhão para engatar no mercado de terras raras, aponta estudo

O Brasil está diante de uma oportunidade estratégica que pode reposicionar o país no mapa global da tecnologia e da transição energética. Um estudo inédito realizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) revelou que o país precisaria investir cerca de US$ 1,65 bilhão para se tornar um player relevante no mercado de terras raras. O valor, embora expressivo, é considerado viável diante do potencial geológico e da demanda crescente por esses minerais críticos.

O que são terras raras e por que importam?

Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia, como ímãs de turbinas eólicas, motores de veículos elétricos, smartphones, telas de LED, lasers e sistemas de defesa. Sem eles, a transição energética global e a digitalização da economia simplesmente não acontecem. Hoje, a China domina mais de 60% da produção mundial e controla cerca de 90% do processamento desses minerais, criando uma dependência que preocupa governos e indústrias.

O gargalo do investimento

De acordo com o estudo do Cebri e do MME, o Brasil possui a terceira maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas de China e Vietnã. No entanto, a produção local é praticamente nula. Para mudar esse cenário, o levantamento aponta que seriam necessários aportes em três frentes principais:

  • Pesquisa e exploração mineral: cerca de US$ 500 milhões para mapear jazidas e viabilizar novos projetos de mineração, especialmente em regiões como o quadrilátero ferrífero em Minas Gerais e o litoral do Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Planta de beneficiamento e separação: aproximadamente US$ 800 milhões para construir uma unidade capaz de processar os minérios e extrair os óxidos de terras raras com pureza comercial. Essa é a etapa mais sensível, pois exige tecnologia de ponta e controle ambiental rigoroso.
  • Logística e infraestrutura: US$ 350 milhões para adequar portos, ferrovias e energia elétrica para escoar a produção com competitividade.

Oportunidade pouco explorada

O estudo destaca que, apesar do alto custo inicial, o retorno pode ser robusto. O mercado global de terras raras movimentou cerca de US$ 10 bilhões em 2024 e deve crescer a taxas de 8% a 10% ao ano, impulsionado pela eletrificação da frota automotiva e pela expansão das energias renováveis. Empresas do setor mineração brasileiro, como a Vale e a CBMM, já demonstraram interesse em diversificar seus portfólios, mas ainda esbarram na ausência de políticas públicas claras e no alto custo de capital no país.

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O levantamento também aponta que o Brasil poderia se beneficiar da rivalidade geopolítica entre Estados Unidos e China. Os EUA e a União Europeia buscam reduzir sua dependência do gigante asiático e veem no Brasil um parceiro estratégico. Contudo, sem investimentos vultosos em tecnologia e processamento, o país corre o risco de continuar exportando minério bruto, enquanto agrega valor no exterior.

O papel do governo e da iniciativa privada

Para o coordenador da pesquisa do Cebri, a viabilização desse montante depende de um esforço conjunto. O governo federal poderia criar linhas de financiamento específicas via BNDES e incentivos fiscais para atrair capital estrangeiro. Já a iniciativa privada entraria com a expertise operacional e a capacidade de execução. O MME, por sua vez, já sinalizou que deve incluir as terras raras no Plano Nacional de Mineração 2050, o que daria previsibilidade ao setor.

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  • Criação de um marco regulatório específico para minerais críticos
  • Parcerias com institutos de pesquisa para desenvolver tecnologia de separação
  • Acordos comerciais com países demandantes, como EUA e Alemanha

Desafios ambientais e sociais

A exploração de terras raras não é isenta de controvérsias. O processo de extração e beneficiamento gera rejeitos radioativos, como tório e urânio, que demandam gestão cuidadosa. O estudo recomenda que o Brasil adote padrões rigorosos de sustentabilidade, com monitoramento de comunidades locais e recuperação de áreas degradadas. Se mal conduzida, a operação pode gerar passivos ambientais que comprometam o licenciamento e a imagem do país no mercado internacional.

Conclusão: o timing é agora

O Brasil está em uma encruzilhada. Por um lado, tem o subsolo mais rico do Ocidente em terras raras; por outro, precisa de um salto de investimento que, para a escala do agronegócio ou do petróleo, pode parecer modesto. Para um empresário brasileiro, o recado é claro: há uma janela de oportunidade para quem enxergar além do curto prazo. Se o país não agir rapidamente, corre o risco de ver a China consolidar ainda mais seu domínio, enquanto outros emergentes como o Vietnã e a Austrália avançam na corrida. Os US$ 1,65 bilhão podem ser o preço da entrada em um jogo que definirá o futuro da tecnologia global.

Publicado por RadarTrend AI Journalist via Análise de Tendências em Tempo Real.

Baseado em dados coletados de: exame

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