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Voltar ao Portal • sustentabilidade • 24 Jun. 2026 • 218 Views

GNL ganha força no transporte de cargas pesadas de longa distância

⚡ Score de Impacto: 85/100 Detectado há 3 meses · Fonte: exame
GNL ganha força no transporte de cargas pesadas de longa distância

Gás Natural Liquefeito: A Nova Aposta para o Transporte Pesado Brasileiro

Em um cenário onde a pressão por sustentabilidade se encontra com a realidade logística do Brasil, o Gás Natural Liquefeito (GNL) emerge como uma alternativa concreta para o transporte de cargas pesadas de longa distância. Enquanto veículos elétricos dominam os debates sobre mobilidade urbana, as rodovias brasileiras, que transportam mais de 60% de toda a carga nacional, exigem soluções específicas para autonomia, potência e custo operacional.

A mais recente movimentação nesse sentido é a parceria estratégica entre a Raízen, uma das maiores players em energia do país, e a Scania, gigante sueca de caminhões e ônibus. O acordo, anunciado recentemente, une a capacidade de distribuição de GNL da Raízen com a frota de caminhões adaptados da Scania, mirando diretamente a descarbonização das estradas brasileiras.

Por que o GNL e não o Diesel ou Eletricidade?

O transporte rodoviário de cargas no Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa do setor de logística. O diesel responde por praticamente toda a energia consumida. A eletrificação, embora promissora, ainda enfrenta barreiras intransponíveis para o transporte pesado de longa distância: a autonomia limitada das baterias, o peso excessivo (que compromete a capacidade de carga) e a falta de infraestrutura de recarga rápida em trechos remotos como a BR-364 ou a BR-163.

O GNL entra nessa brecha. Ele oferece uma autonomia equivalente à do diesel (até 1.600 km em um caminhão pesado), com pegada de carbono significativamente menor. Em comparação com o diesel, o uso de GNL em motores de ciclo Otto reduz as emissões de CO₂ em cerca de 15% a 20%, além de eliminar quase totalmente as emissões de material particulado e óxidos de nitrogênio (NOx), responsáveis por problemas respiratórios em áreas urbanas e rodoviárias.

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Outro trunfo do GNL é a sua densidade energética. Para o transportador, trocar o diesel pelo gás não significa trocar de rota ou perder prazos de entrega. A potência dos motores adaptados é praticamente idêntica, e o abastecimento, embora mais demorado que o do diesel, é mais rápido que uma recarga elétrica de alta capacidade.

Como Funciona a Parceria Raízen + Scania?

A aliança não é apenas comercial, mas sim uma jogada de infraestrutura e logística. A Raízen, que já é a maior distribuidora de Gás Natural Veicular (GNV) do país, agora aposta no GNL para veículos pesados. Ela está expandindo sua rede de postos com bombas de GNL, especialmente nos corredores logísticos que ligam o Centro-Oeste ao Sudeste e ao Sul.

Pelo lado da Scania, a fabricante oferece os caminhões da linha R 460 e G 460 com motor a gás (GNL/Biometano), que já estão em conformidade com as normas Euro 6. A tecnologia é madura: a Scania vende caminhões a gás na Europa há mais de uma década.

O modelo de negócios é o seguinte:

  • Fornecimento de GNL: A Raízen garante o abastecimento nos postos parceiros ou diretamente na frota do cliente, com contratos de médio prazo.
  • Venda e assistência de caminhões: A Scania vende ou financia os caminhões adaptados, com garantia e manutenção especializada.
  • Redução de custos: Em média, o custo por quilômetro rodado com GNL pode ser até 20% mais baixo que o diesel, dependendo das oscilações dos combustíveis fósseis.

"Não estamos falando de uma promessa futura. O GNL é uma alternativa viável hoje para frota pesada, especialmente para quem roda mais de 150 mil km por ano. É o único combustível que combina baixa emissão com autonomia real para o transporte de longa distância", explica um executivo da Raízen envolvido no projeto.

O Desafio da Infraestrutura e o Papel do Biometano

Apesar dos avanços, o GNL ainda enfrenta um gargalo: a baixa densidade de postos de abastecimento. O Brasil tem hoje menos de 50 pontos de GNL para caminhões, concentrados em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A parceria Raízen-Scania visa justamente acelerar a expansão dessa malha, mirando os principais eixos rodoviários do país.

Outro ponto crucial é a transição para o biometano. O biometano é essencialmente o mesmo gás, mas de fonte renovável (produzido a partir de resíduos da agroindústria, lixo urbano ou dejetos animais). A grande vantagem é que ele pode ser usado nos mesmos caminhões a GNL, sem qualquer adaptação. Nesse cenário, as emissões de CO₂ podem cair para quase zero (neutras ou até negativas, dependendo da fonte). A Raízen já testa o biometano em sua frota própria e vê nisso o próximo passo natural da parceria.

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O Impacto no Empresário Brasileiro

Para o empresário do setor de logística, a decisão de migrar para o GNL não é apenas ambiental. Os benefícios financeiros são claros:

  • Menor custo operacional por km rodado.
  • Menor manutenção do motor (o gás não contamina o óleo lubrificante como o diesel).
  • Isenções fiscais em alguns estados (como o ICMS reduzido para GNV/GNL em São Paulo).
  • Valorização da marca perante clientes que exigem baixa pegada de carbono em suas cadeias de suprimentos.

No entanto, o investimento inicial ainda é um ponto de atenção. Um caminhão a GNL da Scania custa cerca de 20% a 30% mais que um equivalente a diesel. O retorno do investimento (ROI) depende do volume de quilômetros rodados e da diferença de preço entre os combustíveis. Para frotas que rodam acima de 200 mil km por ano, o payback pode chegar em menos de 2 anos.

O movimento da Raízen e da Scania sinaliza, portanto, um amadurecimento do mercado. O GNL está deixando de ser uma tecnologia de nicho para se consolidar como a ponte entre o diesel e o futuro renovável, enquanto o caminhão elétrico a bateria ainda não resolveu seus problemas de autonomia para as longas distâncias brasileiras.

Publicado por RadarTrend AI Journalist via Análise de Tendências em Tempo Real.

Baseado em dados coletados de: exame

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